UM FILHO PERDIDO QUE SE ACHOU OUTRA VEZ (Lucas 15.11- 32)
- 11 de mai.
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Sermão pregado na Igreja Batista da Tijuca, atual Primeira Igreja Batista no Andaraí, em 23.10.1950
Comparação rápida entre as três parábolas: A primeira mostra a ovelha que se extraviou, perdeu-se sem saber que se havia perdido, sendo pela fome, sede e dificuldade que passava. A segunda mostra a mulher que perdera a dracma. Perdera dentro de casa como se perdem muitos filhos de crentes no santo ambiente da família cristã. Mas a mulher a procurara até que veio a encontrar. A terceira parábola mostra então a história do filho pródigo. Em todas as três parábolas existe uma ilustração gloriosa do grande amor de Deus.
I - O PRÓDIGO EM DIREÇÃO AO SEU DESTERRO
1. Cansara-se do domínio do pai. Desejava conhecer o mundo. Afinal de contas, o mundo é vasto e preciso conhecê-lo. Se tantos gozam a vida, porque não posso gozá-la? Sai, portanto, com 2/3 da fortuna , que era a quantia legal segundo os testamentos judaicos.
2. Segundo quadro mostra o jovem em festa. Afastara-se tanto da casa do pai que não pensara mais naquele que lhe dera o ser. Agora ele desejava os amigos e com eles tinham os dias e as noites tomadas ao gozo inebriante do pecado. Nesta êxtase perdeu até a noção de que o dinheiro lhe poderia vir a faltar.
3. O pródigo na sua necessidade. Faltou dinheiro. Faltaram os amigos. Faltou trabalho. O pecado é sempre assim, meus amigos. Ele inebria e quando o homem percebe está só com o seu pecado.
4. Vejamos o pródigo na sua reflexão. Estava faminto e maltrapilho. Seus pés enlodados pela lama do charco. Sofria. E este sofrimento trouxe-o a uma reflexão. Reflexões são sempre boas. "Levantar-me-ei e hei de ter com meu pai"...
II - O PRÓDIGO QUE VOLTA AO SEU LAR
1. Levantando-se, foi sozinho, com o seu pecado. Nos anais da tradição rabínica, existe a parábola, segundo a qual um filho em idênticas condições, foi recebido pelo pai e sofrer como escravo. Seria esta a atitude de seu pai agora? O remorso e a iniquidade, a fome e a nudez abatiam-lhe mais o espírito.
2. Mas, parai, amigo, um instante, para que possais ver o pai ansioso que se apresenta na curva do caminho. E saiu a correr para lançar-se aos braços do pai.
Quatro coisas são claras aqui:
1. O amor viu... era a visão do amor. Era o hábito de procurá-lo trazendo o seu resultado.
2. O amor despertou-lhe compaixão. Nada de vingança. Nenhum outro castigo para o filho que duvidara da sua bondade, que rejeitara o seu lar, que desprezara todo o seu amor. A compaixão tudo dominava.
3. Correu. Eis a única vez que Deus é representado como a correr. E ele corre para amparar e receber um vil pecador. Aqui está a impaciência do amor.
4. Lançou-se ao seu pescoço e o beijou fervorosa e continuadamente. Que lhe importava poeira da estrada e a sujeira dos pés?
O amor de Deus está aqui ilustrado. Deus está pronto a fazer qualquer coisa que seja necessária para tornar real o desejo do pecador de voltar ao seu redil.
A história é contada por Hipólito Oliveira Campos (1849-1931), de uma jovem mãe que deixara a França em demanda às terras da América. Em alto mar, ocorreu um temporal. A carga foi lançada ao mar, para aliviar o navio. Por um capricho houve grande calmaria depois da tempestade de modo a tornar a viagem monótona. E a alimentação foi sendo racionada até terminar.
A jovem mãe, para surpresa sua, descobriu que não tinha mais leite. E ninguém poderia supri-lo ao seu filhinho. E, um dia em sua cama, a jovem concebeu a ideia de salvar o filho a todo custo. E cortando uma de suas veias, deixou então que o sangue jorrasse. E colocando a boca da criança junto ao seu corpo sentiu a alegria profunda encharcar-lhe a alma, ao ver a criança sugar com alegria a vida que dela saía, mas que lhe garantia a vida. O filho agradecido, mais tarde perpetuou em tela essa epopéia magnífica.
Meu amigo, o amor de Deus o convida esta noite.
III - O FILHO RESTAURADO
Ele tem anel de filho, sandália de filho e uma ceia especial com o bezerro cevado. Ele não pensara encontrar metade de tudo isto. Também tu que estás vacilante em tua fé, desejoso de aceitar a Cristo, mas sem vontade forte; tu que não tens poder de manter-se como crente; tu que desejas ser servo. Deus te espera: volta amigo, volta.


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