FONTES DIVINAS E CISTERNAS HUMANAS (Jeremias 2.4-7)

Sermão pregado em 29.06.1952


Assim como Isaias feriu em cheio a ingratidão do povo no início do seu ministério, assim o faz Jeremias de várias maneiras. Temos aqui um grande retrato da ingratidão do povo, bem como do resultado dessa ingratidão. Deus mesmo pergunta ao povo: "Que injustiça acharam vossos pais em mim para se afastarem de mim, indo após a vaidade e tornando-se levianos" (verso.5). É uma pergunta incompreensível que, talvez, venhamos a considerar mais tarde.


I - MANCIAL DE ÁGUAS VIVAS

Partiremos em nossas considerações desse manancial glorioso e a ele voltaremos ao final de nossa meditação de hoje.

1. As fontes de Deus se baseiam na sua graça e assim o povo havia de experimentado em toda a sua história (Êxodo 17.6, água da rocha em Horebe quando águas saíram para mitigar a sede do povo rebelde).

2. As fontes de Deus são vida (Salmo 36.9), confirmada por Jesus em João capítulo 4 na palestra com a samaritana. Em João 7.38, "Quem crê terá fontes em seu ventre".

3. As fontes de Deus são abundantes. "O Senhor teu Deus te mete numa terra de fontes e ribeiros fartos e abundantes" (Deuteronômio 8.7). E em sua abundância elas espalham salvação (Isaias 12.3).

Estas três ideias: "Graça, vida e salvação", fazem parte da experiência do povo ingrato. Baseada na graça, as fontes de Deus dão vida e salvação.


II - CISTERNAS ANTIGAS E CISTERNAS MODERNAS

Cisternas constituídas de um esforço inaudito por parte do homem de substituir a graça das fontes divinas. Uma fonte existe independente do esforço do homem ou de sua força. Uma cisterna só poderá existir graças ao esforço do homem.


1. As cisternas antigas se firmavam na ingratidão. No verso 11, Jeremias dissera: "Houve porventura alguma nação que temesse e trocasse o seu deus pagão? Mas vós assim fizestes". Paulo diz em Romanos 1.23: "Mudaram a glória de Deus em mentira". Ingratos e maus.

2. As cisternas humanas baseadas em loucura. Falta de discernimento. Quem haveria de trocar uma fonte sempre límpida, sempre abundante e sempre ao alcance do sedento por uma fonte incerta e trabalhosa? Mas o pecado causou isto e assim tem sido através de todos os tempos.

3. Vejamos se não é assim. Pensem comigo na Filosofia. Sim, na Filosofia temos um bom sistema de cisternas. Em 1550 começou um novo sistema filosófico ensinando que a verdade devia sempre ser comprovada pelos sentidos. Mas levantou-se outro filósofo e enalteceu o erro dos sentidos. Outro confirmou as ideias por dizer que os sentidos só se percebiam corpos. Segue-se outro filósofo que ensina o materialismo filosófico. Sim, porque John Locke (1632-1704) colocou o homem como escravo de seus olhos. Sentimentos não são sentimentos a menos que possam ser reduzidos a provas palpáveis.

4. Novas cisternas estão sendo cavadas. Aí está o existencialismo de Jean-Paul Sartre (1905-1980) e outras vãs filosofias. O mesmo se dá no terreno das religiões. Cada dia surge novo sistema. E desses sistemas nos iremos ocupar em breve.

5. O mesmo se dá com múltiplos partidos políticos. Cisternas rôtas, procurando trazer de volta a felicidade perdida, a alegria ambicionada. Qual a solução para os problemas humanos? Somente uma volta.


III - VOLTA AOS MANANCIAIS DIVINOS

Henry Knox Sherrill (1890-1980) escreveu: "Os homens voltam para Deus porque compreenderam que a humanidade não pode salvar a si mesmo".

Até aqui os homens pensam que o progresso faria o mundo feliz. Pensaram em estudar, inventar, avançar. Deixaram Deus fora e agora o sentem.

Para nós o conforto: Os mananciais ainda estão abertos. "Quem tem sede venha a mim e beba" (João 7.37). Não a outro; a mim. Não contemplar, mas provar.

Se desejar, deixe o seu comentário abaixo: