DE ESCRAVOS A FILHOS (Gálatas 4)

Gostaria de conversar sobre um cidadão de 120 anos que comemorou há poucos dias em Belo Horizonte. Aquele homem, talvez, tenha muitas informações a respeito dos tempos de antanho na vida brasileira. Talvez ele tenha muitas informações a respeito do regime de escravidão no Brasil. Já pensaram, meus amigos, no que significa ser escravo?

Os egípcios justificavam as surras tremendas que davam aos escravos, por dizer que as costas foram dadas aos homens inferiores para apanhar. Entre os babilônios era corrente a ideia de que ao homem seria tão razoável possuir um homem quanto um animal qualquer.

Diz-se que Júlio César de uma só feita vendeu 60 mil mulheres e crianças como escravos. Leiam o livro Ben-Hur, de Lew Wallace (1827-1905) e imaginem o que seriam aqueles homens empilhados uns sobre os outros no calor e na dor nas famosas “galeras” romanas (*). Pensei nos pobres gladiadores da Roma Antiga que serviam como espetáculo às multidões.

Pois bem, meus amigos. O grande apóstolo Paulo diz que todos quantos não são ainda filhos de Deus pela fé, são escravos segundo as obras, são escravos segundo a Lei. Para ilustrar seu pensamento, tomou dois vultos do Velho Testamento. Ismael e Isaque Diz o apóstolo que Ismael é o filho da escrava, enquanto Isaque é o filho da promessa.

I – ESCRAVO E O FILHO CONTRISTADO

1. O escravo é o filho do desejo carnal. O filho é o cumprimento da promessa.

2. O escravo representa os preceitos da lei. O filho a alegria da graça.

3. O escravo vive para a terra. O filho vive para o céu.

4. O escravo nasce do que é natural. O filho do que é sobrenatural.

Nas páginas do Velho Testamento, não temos filhos, mas servos de Deus. Era a ideia de um Deus distante às vezes, severo em geral, pronto para castigar. Nas páginas do Evangelho de João o título de Pai é dado a Deus 114 vezes, mas somente depois da ressurreição é que Jesus os chama de filhos de Deus. Esta observação não é perfeitamente justificável, uma vez que logo de inicio declara o escritor que os que receberam foram feitos filhos de Deus. Todavia, permanece a ideia do Velho Testamento de que o crente era servo e não filho. Aqui, entretanto, como em outras epístolas, o apóstolo fala do Filho e de sua glória.

II - REALIDADE DA FILIAÇÃO

Não precisamos falar da realidade da escravidão porque ela já se encontra escrita em cada rosto daquele que não ama a Deus.

1. No Evangelho de João o evangelista afirma: “A todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1.12).

2. Em Romanos 8.14-16, ele declara: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”.

3. Gálatas 4.6-7: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho... Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus”.

4. 1João 3.1: “Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fossemos chamados Filhos de Deus”...

III – O PROCESSO DA ADOÇÃO DE FILHOS

No Brasil os escravos foram declarados livres por uma lei. Esta lei se transformou em regra. Foi aceita. Todos quantos a aceitaram foram libertados. Mas, muitos preferiram continuar com seus senhores como escravos até a morte.

No tempo de Israel antigo, havia o mesmo costume. Mas, aquele que recusava sair no ano do Jubileu, esse era marcado com sovela e nunca mais poderia ser alforriado.

(*)Galera; tipo de navio movido a remo.

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