ARTIGO: NOTAS SOBRE A POLÍTICA, SOB O OLHAR DA BÍBLIA
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Escrito em 1998
A linguagem militar aparece em todo o texto inspirado da Bíblia. Lemos de exércitos e líderes de exércitos. Em Josué 5:14, lemos a respeito do Capitão do Exército do Senhor. Isto revela o Tshebaiot, Senhor dos Exércitos de Israel.
A Bíblia fala seguidamente em príncipes, reis e reinos. Mas na epístola paulina aos Efésios 6:12, aprendemos que existe o exército do maligno. O santo apóstolo exorta os fiéis a se prepararem para o combate ao que chama “hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais”. A ideia de interferência no ar, no éter, é clamor na Bíblia. Mas é ainda o santo apóstolo Paulo quem chama Timóteo, seu servidor, de “soldado” e lhe aconselha ser bom “soldado” de Jesus Cristo.
A linguagem do Apocalipse 1:6 fala dos crentes como sendo “reis e sacerdotes” que expressam cumprimento do prometido, ao comissionar Israel, como seu povo – Êxodo 19:6
I – SERVOS DE DEUS E OS GOVERNOS
A cooperação Religião-Estado aparece na vida e serviços de muitos dos destacados servos de Deus. Vale destacar o ministério do profeta Elias. Ele era chamado pelo rei ímpio de “perturbador de Israel” – 1Reis 18:17 – mas na realidade era o vindicador do respeito a Deus e ao povo.
Eliseu, seu sucessor, tornou-se peça quase que essencial nos caminhos da direção política da nação. Lemos a seu respeito uma declaração contundente: “O profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel até as palavras que falas na câmara de dormir” – 2Reis 6:12. Havia por assim dizer uma agência secreta de Deus na boca do seu profeta em defesa dos interesses dos comandados de Deus.
II – A POLÍTICA
Se, ficamos na origem; entendemos política como ciência do bom governo. Mas cabe dizer que o mesmo dicionário registra o verbete politicagem que alguns nos dias que correm identificam como gatunagem. Ora, ciência é conhecimento, é saber, é convicção. Dentro destes muros tenho de pensar numa política de educação que ecoa como necessidade imperiosa entre nós e que há de se tornar no fecho desta linha de pensamentos.
III - DESAFIOS DA CIDADANIA
1. Cidadão é aquele que goza dos seus direitos civis e políticos com direito a residir, morar em determinado lugar. Esta definição de Antenor Nascente (1886-1972) filólogo, linguista e lexicógrafo, estudioso da Língua Portuguesa, deixou algo a desejar em meu espírito. Gostei do complemento de outro lexicógrafo: “Membro de um Estado, considerando do ponto de vista de seus deveres para com a Pátria e seus direitos políticos (Koogan Larousse - pequeno Dicionário Enciclopédico – Seleções 1982)
2. Para um cidadão de Cingapura, a cidade limpa da Ásia, a obra de um grafiteiro é punida com chicotadas. E no caso do jovem norte-americano, por quem intercedeu seu Presidente, a resposta foi à seguinte: “Michael Fay, com seus 18 anos, pichou e vai levar as seis bordoadas previstas em lei. Ele será chicoteado por um perito em artes marciais e será fustigado em suas nádegas”. Aqui em Cingapura – respondeu o Governo ao Presidente norte-americano – ao contrário de outros países que toleram atos de vandalismos, dispomos de critérios próprios para sua ordem social (Revista Veja – 13.04.1994). Visitei Cingapura e posso testificar que a lei funciona e a ordem também. Acredito ser este tipo de cidadania que deve marcar este encontro.
3.Na trajetória da igreja nos caminhos de Atos dos Apóstolos, seguia-se a perseguição de governos aos atos dos discipulados, bem assim o respeito de todo o poder do governo. Os fiéis de Jesus jamais foram subversivos.
4. Em Romanos, capítulo 13; aprendemos que as almas devem estar sujeitas às potestades. Na Epístola a Timóteo, Paulo ensina que é dever dos crentes a oração pelas autoridades. Na mensagem ao jovem pregador Tito, Paulo insta obediência ao governo (3:1). Mas a Bíblia que fala em governos e reinados, que exalta “Jeová Deus dos Exércitos”, fala também da organização potente de Satanás. Satanás, segundo a Bíblia, tem anjos e arcanjos e governos fortes estabelecidos. Paulo usa a expressão “hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Efésios 3:1-2; 6:10,17)
IV – A FORMAÇÃO DE UMA CIDADANIA CORRETA
“Educa a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele (Provérbios 22:6). Aliás, em Provérbios encontramos verdadeiro ritual de ensino sobre disciplina em criança. Quero destacar, no estudo de educação de Israel, os elementos que podem ajudar-nos neste país de princípios valiosos na formação de uma nacionalidade estável.
Que tipo de pessoa seria um cidadão brasileiro legítimo? Branco ou preto, mestiço ou azeitonado? Índio ou civilizado? Mameluco ou filho legítimo? Do ponto de vista da Bíblia, “Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2:7)
A Lei dos Mandamentos, a Lei Moral de Deus não discrimina mas inclui todos os homens. No decálogo de Deus estão escritas as leis de comportamento e de culto. Declara Deus do Decálogo: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra; mas no sétimo dia descansareis adorando ao Senhor” (Êxodo 20:9-10) E os Mandamentos ordenam: “Honra teu pai e a tua mãe... não matarás... não adulterarás... não furtarás (Êxodo 20:13-17)
Os companheiros da sociedade estão contemplados no estabelecimento da harmonia e paz na terra. Ouvia um comentário na TV a respeito do dia 21 de abril: “Todas as repartições fecharam as portas. Alguns governos estaduais decretaram ponto facultativo. Mas a Escola Americana, escola do povo do primeiro mundo – declarou o noticiário – abriu e seguiu expediente normal.
Trabalharás seis dias. Descansarás e dedicarás ao culto um dia. O cristão é cidadão que se prepara para o segundo andar, mas os patriarcas de Hebreus capítulo 11 - que andavam rumo à cidade celestial; serviram a Deus no seu tempo. Davi serviu a Deus na sua geração e é chamado “homem segundo o coração de Deus” (Atos 13:22)
Creio, portanto, em seguirmos e trabalharmos no binômio. Cidadania pela conveniência nos termos da Lei Moral. Cidadania trabalhada pela educação – inclusive religiosa – como caminho de conquista.
Educação no campo da família: Como, se a TV invade os lares com ataques à própria família! Como, se as circunstâncias são tão severas e tão difíceis! Em Vitória – ES, encontrei-me com um senhor ainda jovem, mas que desejava conseguir aposentadoria, pois que não agüentava mais o lugar onde trabalhava. Ponderei-lhe: Primeiro, uma aposentadoria agora não seria perfeitamente legal. Sua idade não comporta, isto é, um atestado falso não deve ser o seu caso. Segundo, se seus padrões são muitos superiores ao ambiente do seu trabalho, siga uma máxima que aprendi quando menino: “Eu não posso terminar com as trevas, mas posso brilhar na escuridão”.
O profeta Isaias foi outro amigo da corte e do cenário real. Ele era amigo especial do rei Uzias (Isaias capítulo 6) e foi – segundo muitos intérpretes – no ano de desatino do rei, quando intentou realizar sacrifícios no templo e foi punido pela lepra que Isaias teve sua maravilhosa e impressionante experiência religiosa que descreve no seu livro. A morte social do rei levantou o profeta humilde e manso, o conhecido profeta messiânico.
Outro profeta famoso no seu trato com políticas foi Daniel. O registro de suas profecias fala bastante no rei Nabucodonosor da Babilônia, e em Belsazar, rei deposto por Ciro, o persa. Na corte de Ciro, Daniel continuou a servir a Deus. Ele passava provações e sofria, mas a mensagem de Jeová era trombeteada. Jeremias, ao tempo da predição e preparação do povo para o cativeiro na Babilônia, falou e instou junto ao povo. Foi poupado na vida pelos conquistadores da Babilônia.
V – O GOVERNO NOS DIAS DE JESUS E SEUS APÓSTOLOS
Jesus foi procurado e perseguido por políticos. Ele chamou Herodes de raposa (Lucas 13:32) e diante dele para interrogatório, manteve Seu silêncio.
Jesus tratou Pilatos como estadista, mas encurralou-o de tal forma que Pilatos lhe perguntou: “Que é a verdade”? (João 18:38)
Quando um dos apóstolos recebeu cobrança por parte do governo, Jesus mandou pagar a dívida, mais o que lhe fora cobrado (Mateus 17:24-27). Ao ser interpelado sobre o pagamento de impostos por parte do povo, pagaremos ou não tributo a César? Jesus respondeu: “Dai a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus (Mateus 22:21)
Sem dúvida, livre é aquele que pode passar por cima dos desejos indignos, que pode se locomover livremente, que vence as objeções. A força da liberdade maior, entretanto, é a capacidade de lutar contra as oposições, levando adiante aquilo que lhe convence como justa. Lutar pelos ideais e vencer a oposição, eis a verdadeira liberdade.
Observem a Pessoa de Jesus. No meio dos adversários mantinha a Sua palavra. No momento de Seu julgamento. Jesus teve capacidade de se calar diante de Pilatos e fala somente quando sentia que Sua palavra seria necessária liberdade. Portanto, não é ação negativa, mas a verdade para frente quaisquer que sejam as oposições.
Em se tratando do despertar espiritual, faz-se necessária a coragem que determina a ação que, não obstante, leve adiante os conceitos certos. Paulo deixou-nos um rastro igual. Houve oposições múltiplas nos caminhos do apóstolo, mas sua convicção de que “nada podemos contra a verdade, senão a favor da própria verdade”, marcou sua caminhada vitoriosa.
Lembremos então que o Espírito dá o poder que marca a liberdade verdadeira. O Espírito pelo seu poder vence todos os desafios humanos. A onda do Espírito que move os avivamentos independe de repressões ou rejeições humanas.


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