UMA CARTA DO PAI DO PASTOR DAVID GOMES AO FILHO

Meu caro David


Glorifiquemos a Deus Soberano Senhor do céu e da terra, a quem hoje, como amanhã, elevarei minhas preces, expressão viva de meu agradecimento a esse mesmo Onipotente Criador de todas as coisas, que deu a mim, seu mais humilde servidor, a alegria de trazer-te ao mundo, meu querido filho, para, em tuas peregrinações, através de cidade e vilas, levares aos nossos irmãos em crença, a verdade infalível, a verdade luminosa e ofuscante de religião que professa, cujo fruto de hoje colhes para repartir com os bem-aventurados, os que creem na existência de Deus. 


Estou velho, filho meu, bem velho, já arrastando, alquebrado pelos anos de intensa e prolongada luta, a existência de que te farás o legítimo continuador, como sabes, não tive eu, como tu, a imarcescível glória de fruir num ambiente como o que habitas, esses momentos de elevação cultural que embriagam o espírito e a mente, envolvendo-o numa alegria sã e perfeita, dons que bem podes em tua missão distribuir generosamente a todos que buscarem a tua companhia, pois que, se o não fizeres, negarás o tributo devido aos ilustres educadores que hoje te ofertam o tesouro da fé e da cultura no seu mais amplo e sólido sentido.


Ouve, David, a voz sumida e embargada de teu velho pai, ainda não refeito da justa e incontida emoção, orgulho sim, confesso-o do quanto recebes agora', das mãos de teus dignos mestres. Ouve, repito, o que te peço, eco de meu sincero carinho e confiança em tua sensibilidade espiritual. VAI CONFIANTE por estas plagas brasileiras, semeia o quanto puderes, a palavra de Cristo, a palavra da fé, de concórdia e da libertação espiritual. Dize ao mundo que, bebendo da fonte verdadeira, inebriado de luz, queres continuar a tarefa de teus queridos e piedosos mestres  terrenos, para a glória do Divino Mestre. Mostra-lhes, a todos, pobres e ricos, crentes ou não, que a verdadeira fé, a verdadeira glória, não são um mito, não arrefeceram ainda, nem perderam o seu calor radioso.


E, como o Divino Mestre, esforça-te, sem esmorecimento, para que todos sorvam religiosamente a taça do amor-justiça, do amor-piedade, concórdia e desprendimento que funde corpo e alma, que não conhece distância, nem ódio, nem credo e nem cor, que habita choupana e palácios, céus e terra, tudo enfim, porque é o amor de Deus, divino e soberano sobre todas as causas.


Ao receberes, hoje, filho meu, das mãos de teus mestres o diploma pelo qual habilitastes a falar em nome do culto que abraçastes, alcanças com ele, um teto a mais, para que te tornes forte e capacitado a sustentar a luta pela vida em seus complexos e inquietantes problemas.


Vai, meu caro filho David, em suas peregrinações que hão de vir, como apóstolo na profissão de fé que abraças, encontrar espinhos escolhos. Darás, entretanto, àqueles que te esbofetearem uma das faces, a outra face... Judas buscará tua sombra... os falsos profetas, ah! quantos cruzarão o teu caminho... mas, o meu David, convivendo entre os mestres como os que hoje vai deixar, há de sentir-se forte, inatacável, austero e positivo, muito de qualquer fraqueza ou  aleivosidade que o deturpem e o transformem num menos digno missionário da Palavra de Cristo.


Honrarás, meu filho, a escola, os mestres e amigos que  te cercam. Enaltecerás o nome de Deus, da verdade e do amor. Honrarás a família e a sociedade. E darás, em suma a este confiante pai que hoje te abraça em espírito e de coração, a mais sincera e grandiosa emoção de felicidade com que Deus o poderia compensar.


Estou, neste momento, mais que nenhum outro amigo, emocionado e feliz, unido a ti, meu filho, num enternecido abraço de felicitações. DEUS TE GUIE E ABENÇOE, meu David. Soluço e repito, cheio de orgulho, de fé, de alegria, porque sou teu pai.

 

Belo Horizonte, 30 de outubro de 1944
José Martiniano Gomes

 

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