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UMA LUZ RADIANTE NUM MUNDO DE TREVAS (Gênesis 5.18-24)

Sermão pregado na Igreja Batista da Tijuca (RJ), hoje Primeira Igreja Batista no Andaraí em 01. 01.1950


"Não posso varrer as trevas, mas alumiar a escuridão",escreveu John Newton – (1725-1807).

O profeta Isaias disse a respeito de Jesus: "O povo andava em trevas viu uma grande luz e sobre os que habitavam nas regiões da sombra da morte e sobre os que habitavam resplandeceu a luz" – (Isaías 9.2).

Olhando ao redor de nós e sentindo a grandeza e poder das trevas que nos rodeiam de todos os lados, parece-nos propício para uma meditação de início de ano a vida abençoada de Enoque, o homem que andou com Deus. O mundo de Enoque foi tão terrível quanto o nosso. A iniquidade de Caim, para não dizermos o pecado de Adão, havia tomado conta de toda a terra. E Deus já pensava na destruição do mundo quando Enoque andou com Deus. Consideremos, pois, a biografia deste santo do passado e tiremos dela algumas lições para todos nós nesta primeira noite do ano de 1950. Seguiremos tão somente o esboço que o próprio autor do livro deixou.


I - ANDOU ENOQUE COM DEUS...

1. Não era Enoque um homem anormal. Ele era normal. Casou-se e foi o pai de muitos filhos e filhas.

2. Não foi um anacoreta (monge, eremita) afastando-se de tudo e de todos. Não foi um defensor do celibato nem tampouco do claustro ainda tão propagado em nossos dias.

3. Se ele andou com Deus é claro que ele levantou-se sobre os costumes da época. Elevou-se na moralidade e no caráter mais do que o comum do seu tempo. Há pessoas que dizem não ser possível ao crente levantar-se acima do ambiente em que vive. Pois Enoque ergue-se muito acima do nível do seu tempo.

4. Enoque não andou só. Ele andou com Deus. Num mundo de maus e perversos companheiros de Enoque escolheu o melhor. Será bom notarmos que a Escritura diz que ele andou com Deus depois que lhe nasceu o primeiro filho.

(1) Andando com Deus Enoque pensava com Deus, agia com Deus!. Que conversas não haveria ele de ter com sua esposa e filhos...


II - E NÃO APARECEU MAIS

1. A intimidade foi crescendo entre Enoque e Deus. A afeição aumentava e o desejo de permanecer para sempre juntos crescia também. E um dia não foi visto Enoque nas alamedas da sua cidade. Hebreus 11.5 nos diz que antes de experimentar a transladação Ele alcançara testemunho de que agradara a Deus.

2. Que falta não teria ele feito no seu mundo.

3. Deus o transladara... Não morreu. Nove vezes neste texto que vos li apareceu a frase e "morreu". Mas não Enoque. Deus mostra em Enoque o que haveria de acontecer a todos nós se não houvesse o pecado entrado no mundo.

4. O Enoque que fora transladado permaneceu no mundo através de seus filhos e principalmente em Matusalém, o homem que viveu 969 anos. Pais fortes filhos também fortes. O neto de Enoque andou com Deus e salvou a raça de uma completa derrocada.


III - PODEMOS NÓS ANDAR COM DEUS NUM MUNDO QUE CAUSA HORROR?

A história do menino que ia com o pai num denso matagal e em noite escura: "Papai, com esta luz chegaremos em casa"? "Sim, filho, ela é pequena mas é suficiente para iluminar passo a passo...". Para que consigamos como Enoque andar com Deus em nossos dias, duas coisas são necessárias:

1. Renunciar o mundo e tudo que é do mundo. Enquanto somos do mundo Cristo não é nosso parente. Ele não é nosso Senhor. Ele não é nosso Mestre. O homem natural é o mestre e chefe e senhor de si mesmo. O primeiro passo para que alguém possa ser ajudado por Deus, é recusar sua falsa soberania por amor a Jesus. Não é fácil renunciar. Gostamos de aconselhar mas de ser aconselhados. Queremos admoestar mas não sermos admoestados. É difícil para um homem deixar os pecados neste mundo. Ninguém por si o fará. Mas a renúncia com Cristo e por Cristo tornará isto possível.

2. Consagrar. Podemos renunciar sem consagrar como consagrar indevidamente. É por esta razão que Jesus ao falar sobre a necessidade de renúncia pessoal para entrar no seu reino ele disse: "Renuncie-se a si mesmo...". Somente aquele que está pronto a esquecer de si pode realmente se consagrar a Deus.

Fanny Crosby (1820-1915), expressa a linguagem da consagração nas palavras do seu poema imortal, Minhas Mãos: "Eu tinha minhas mãos cheinhas de tesouros a mim tão preciosos... riquezas de ouro e prata e jóias de valor era o que eu possuía e lhe devotava amor... o Mestre veio a mim e pôs nas minhas mãos as suas mãos, e desde aquele instante as forças me fugiu, jóias despedaçadas...".

A visão do Cristo que por ela se entregou fê-la consagrar-se e tornar-se imortal. Daria tudo para ter a vida consagrada da senhora. Pois foi tudo justamente o que me custou.

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