Sermão pregado na Igreja Batista da Esperança – Rio de Janeiro (RJ) em 07 de maio de 1967
O lar era o ponto central na vida dos judeus. A sinagoga era, simplesmente, um prolongamento da vida no lar. A criança na sinagoga continuava a viver a vida e as peripécias do lar. Na escola, o mesmo entrosamento se fazia sentir. Destarte, o lar, a escola e a sinagoga eram uma mesma coisa.
I - RELIGIÃO NO LAR PELA VIDA DIÁRIA
1. Currículo dos lares: Aos cinco anos, a criança iniciava a leitura do Velho Testamento. Aos dez anos, começava o estudo do Meshiná - segunda lei, interpretação da Lei depois do Cativeiro. Aos 13 anos, a criança era responsabilizada pela guarda dos mandamentos. Aos 15 anos, iniciava o estudo do Talmud - livro da lei e tradições judaicas. Aos 18 anos, casamento; aos 20 anos entrada no comércio e outras fases profissionais ( Alfred Edersheim – (1825-1889) - História da Vida Judaica , pág. 10).
2. O mandamento declarado – (Deuteronômio 6.7-15). Esse trecho se constituía na base da instrução dos judeus e as crianças o levavam muito a sério. Edersheim conta-nos de um jovem judeu que dissera ao seu Rabi que iria estudar cultura grega. O velho rabino respondeu-lhe:
-- Sabes Josué 1.8? E acrescentou: Se puderes encontrar tempo que não esteja incluído entre o dia e noite ai referidos, dedique tal tempo à cultura grega.
3. A execução do mandamento:
1) Ordem de estudos:
a) História da criação.
b) Decoração de versículos;
c) Oração três vezes ao dia;
d) Cerimoniais diversos.
2) Estudo graduado sobre a pureza. O judeu era circuncidado como medida da higiene e reverência a Jeová.
3) Instrução quanto ao patriotismo, economia, reverência aos pais e conceitos de sabedoria
II - RELIGIÃO LIGADA AO LAR ATRAVÉS DE SIMBOLISMOS PERMANENTES
1. Comemoração anual da Páscoa – (Êxodo 12.25-28). O pão sem fermento por uma semana; o cordeiro assado, segundo especificações; as ervas amargas, tudo isso era observado por pessoas que estavam trajadas como para viagem. O filho teria, portanto, uma pergunta muito natural: "Que significa isso"?
2. O rolo de Mezuzah. Um cilindro colocado à entrada da porta. Dentro do cilindro estava a Escritura de Deuteronômio 4.4-9; 11.13-21. A pessoa ao entrar devia tocar o cilindro e beijar o dedo. O nome do Todo-Poderoso era mencionado.
3. As filactérias. Quatro passagens são usadas como base para as filactérias bordadas das vestes sacerdotais – (Êxodo 13.9; Deuteronômio 6.8, 11). O verdadeiro israelita devia usar a lei escrita no braço e na fronte. Havia duas filactérias, sendo que uma delas dividida em quatro partes. A inteiriça era colocada sobre o braço esquerdo de modo a tocar o coração, quanto juntas as mãos. Cada israelita as usava a partir dos 13 anos, na oração da manhã (culto doméstico), exceto em dias de festa.
4. As luzes em conexão com a Festa dos Tabernáculos. Havia uma luz para cada membro da família e aumentava de uma a cada dia de festa. Uma casa com 70 pessoas teria que ter 70 luzes ao término da festa. Que impressão tremenda teriam os filhos!
III - RELIGIÃO LIGADA AO LAR POR MEIO DE CERIMONIA
1. O primogênito era considerado do Senhor – (Números 3.13). O primogênito podia ser remido com o cordeiro de um ano ou dois pombos. Isto ilustraria a santidade da vida e o domínio do Senhor na sua vida – (Levítico 12.6-8; Lucas 2.24).
2. A circuncisão vinha ao oitavo dia – (Gênesis 17.12-13), como símbolo de nacionalismo - nacionalidade.
3. Aos três anos havia a festa do desmame – (Gênesis 21.8). Nessa ocasião a criança era confirmada e entregue aos cuidados do sacerdote.
4. Bar Mitzvá, o filho da lei. Aos 13 anos o pai renunciava à autoridade sobre o filho primogênito consagrado ao Senhor.
5. O sábado era lembrado em cerimoniais estritamente observadas.
(N.R. Filactérias: tiras de pergaminhos em que os Hebreus escreviam alguns passos do Deuteronômio. Os judeus usavam as filactérias durante a oração . Também é provável que Jesus as tenha usado).
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