CAPÍTULO IV

Crescia o menino David cheio de graça, inteligência e humildade. Seus pais não olvidaram os conselhos do sábio Salomão: “Instrui o menino no caminho em que deve andar e até quando envelhecer não se desviará dele”.

Sempre conduzido à igreja, ia ele tomando parte ativa em todos os trabalhos próprios de sua idade. Sempre estimado pelos crentes era, sem dúvida, uma grande esperança para a igreja.

Aos sete anos era matriculado no Grupo Escolar Melo Viana, em Belo Horizonte, onde soube demonstrar sua capacidade e sua inteligência para os estudos. Estimado e admirado pelos professores obtinha a simpatia de todos.

Vencendo com brilhantismo a primeira etapa dos estudos foi, ao término do curso, designado para orador da turma, quando recebeu a homenagem do grupo e belíssimo presente. Estava vencida a primeira etapa do saber para inicio da nova jornada.

Seus pais, pobres, não dispunham de recursos para o prosseguimento dos estudos de modo a ser aprimorada aquela inteligência privilegiada. Resolveram, portanto, encaminhar o pequeno David para ser aprendiz do oficio de alfaiate, encontrando, para isto, a alfaiataria do Sr. Diógenes de Britto.

Naquele estabelecimento servia como ajudante, fazendo entregas e outros mandados. Aprendendo o ofício e trabalhando, percebia uma pequena quantia por mês, além do transporte.

Frequentava a igreja Batista do Barro Preto e sempre era observado com carinho pelo Pastor Maddox. Dr. Otios Maddox era missionário e pastor da igreja. Via ele o interesse do menino David, em todas as reuniões, e de como gostava de ajudar nas mínimas coisas. Muitas vezes preferia ir a pé para a igreja, a fim de reservar o dinheiro da condução para uma oferta maior.

Aos 12 anos, após uma linda mensagem proferida pelo mesmo pastor Maddox, sentiu-se convertido o menino David. Dando sua profissão de fé, foi aceito para o batismo. Foi a 12 de janeiro de 1931 levado às águas batismais pelo venerando obreiro. Aquele foi um dia de muita alegria no lar da família Gomes. O filho que viera ao mundo para dissipar a dor, aquele menino que havia sido depositado à sombra da cruz com a dedicatória de oferenda pela mãe que sabia orar, dava assim o primeiro passo na vida cristã e iniciava seu ministério infantil.

Bem robusto e entusiasmado, podia-se contar com sua presença na Sociedade Infantil, Escola Dominical, cultos e todas as atividades da igreja. A singeleza de suas ações e aquele sorriso simpático que sabia conservar, fizeram-lhe um grande amigo do pastor, pelo que o missionário não o perdia de vista. Achava notório o modo ingênuo do menino e a sinceridade de suas atitudes.

Certo dia, em visita ao lar de David, propôs à família que aproveitasse a inteligência privilegiada da criança. Dispôs-se mesmo a ajudá-lo. Miss Ray, missionária e membro da mesma igreja, quis também participar do aprimoramento daquela vida. O missionário Maddox conseguiria trabalho para ele no internato e Miss Ray ajudaria na compra de livros.

Ei-lo agora como copeiro do internato. Lavando ou enxugando louça, soube bem corresponder à expectativa dos que almejaram a lapidação dessa vida. Sempre obtendo esplêndidas notas, levou o curso até o fim e ao terminá-lo foi escolhido orador da turma. Estava vencida mais uma etapa.

Waldemira Gomes de Sá Ano 1965. Não mencionada a editora. Publicação independente.

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